Nacho Zubelzu

Reinosa, Cantábria, Espanha, 1966

 

Nutro-me das minhas próprias experiências nas montanhas, na natureza e na orografia para interiorizar a beleza dos elementos naturais e plasmá-los de forma plástica em pinturas, fotografias, esculturas, instalações de grande formato, performances e pequenas ilustrações.

Nesta ligação com a terra, integro linguagem, antropologia e estética. O que caracteriza as minhas composições é a diversidade criativa e as perspetivas com materiais diversos em diferentes geografias. Transito com a mesma lucidez pelos desenhos da natureza e pelas composições em papel que reproduzem a passagem dos rebanhos de ovelhas durante a transumância. A minha é uma topografia de paisagens interiorizadas, rostos leves e insinuados, fotografias, colagens e instalações.

Nunca traço uma linha divisória entre pintura e escultura, mas sim, são áreas que complemento, por isso, uso a repetição e variação que geram sequências nas quais estruturo uma análise das ideias, sensações e sentimentos.

Desta forma, este estreito vínculo com a natureza permite-me abordar a conceção do tempo, relacioná-lo com o natural e com um sentido ético do trabalho. Desenhos a tinta e caneta, sequências orgânicas, jogos de aparências, trompe l'oeil e esculturas de chão ou o meu próprio corpo como parte do espaço. A inquietação criativa, a curiosidade, o desejo de investigar e o diálogo próximo com a natureza constituem as marcas identitárias de uma trajetória artística sempre ligada à minha faceta de naturalista. Acredito que o meu discurso é coerente com a diversidade de meios e linguagens, realizando um trabalho destinado a refletir sobre a representação do planeta. No meu universo cabem a paisagem, a experiência pessoal, os espaços ou a tradição oral. Abordei uma criação entre a importância dos materiais e sua textura e a metáfora conceitual e visual.


I draw on my own experiences in the mountains, in nature and in the terrain to internalise the beauty of natural elements and express them artistically in paintings, photographs, sculptures, large-scale installations, performances and small illustrations.

In this connection with the earth, I integrate language, anthropology and aesthetics. What characterises my compositions is creative diversity and perspectives with different materials in different geographies. I move with the same lucidity through nature's drawings and compositions on paper that reproduce the passage of sheep herds during transhumance. Mine is a topography of internalised landscapes, light and insinuated faces, photographs, collages and installations.

I never draw a dividing line between painting and sculpture, but rather, they are areas that complement each other, so I use repetition and variation to generate sequences in which I structure an analysis of ideas, sensations, and feelings.

In this way, this close connection with nature allows me to approach the concept of time, relating it to the natural world and to an ethical sense of work. Ink and pen drawings, organic sequences, games of appearances, trompe l'oeil and floor sculptures or my own body as part of the space. Creative restlessness, curiosity, the desire to investigate and close dialogue with nature are the hallmarks of an artistic career that has always been linked to my naturalist side. I believe that my discourse is consistent with the diversity of media and languages, producing work intended to reflect on the representation of the planet. My universe encompasses landscape, personal experience, spaces and oral tradition. I have approached creation from the perspective of the importance of materials and their texture and conceptual and visual metaphor.